domingo, novembro 26, 2006

Tudo o que carregamos cá dentro


“É simplesmente fantástico o que carregas dentro de ti”, escreveste-me tu um dia…
Sabes, tenho andado a remexer cá dentro nas coisas que carrego, como que a tentar arrumar uma daquelas gavetas onde guardamos tudo… coisas pequeninas, alguns pequenos tesouros e coisas sem importância, algumas das quais apenas nos servem temporariamente… Tenho andado a remexer para seleccionar o que interessa, o que vale a pena deixar ficar e até arrumar noutro sítio, e o que é para deitar fora…

No meio de tantas coisas que carrego cá dentro, também encontrei uma caixinha de cor violeta (que adoravas), forrada com o azul dos teus lindos olhos, cravada com pequenas pedras graciosas como o teu sorriso, onde guardo as saudades de te dizer que tinha saudades tuas, e um abraço….o abraço que não te dei naquele dia...

O abraço que não dei, porque não estávamos sós, porque tinha o tempo contado para apanhar boleia da minha mãe. Porque fiquei a pensar que te havia de ligar para irmos tomar café e não liguei… Um abraço…

É espantoso o que podemos carregar cá dentro, a quantidade de abraços, de coisas que queremos tanto fazer e que deixamos para amanhã, para depois…
É impressionante a quantidade de “tralha” que vamos acumulando por vezes não deixando espaço para o essencial…
E é fantástico este encantamento pela vida, esta vontade de sorrir, que carregamos cá dentro, mesmo quando os olhos estão tão tristes, como os teus quando os vi pela última vez…

Decidiste que já nada disto te servia… ou que tudo te pesava demasiado cá dentro…
E é também por isso que tenho pensado tanto em ti… e na importância de guardarmos em lugar seguro os pequenos milagres, de não acumular tralhas, e de abraçarmos com muita força quando é isso que queremos, como eu queria naquele abraço que guardo cá dentro, para te dar um dia… depois de todos os dias…

quarta-feira, novembro 22, 2006

São quase 19 horas, atravesso a Praça dos Leões, olho ao redor, como se pudesse absorver um pouco do que me rodeia, para levar comigo. Tenho a estranha sensação de que tudo aquilo também é um pouco meu, mas que cada vez menos eu lhe pertenço...
Sigo pela Rua das Carmelitas, e fixo o olhar nos enfeites luminosos de Natal, ainda não ligados, e sinto um desconcertante alívio, pensando em como provavelmente me deixo ir abaixo a primeira vez com que me deparar com uma rua toda iluminada...
Batem as 19 horas nos Clérigos... é o tempo, o maldito tempo que tem voado ultimamente, e que ao contrário do costume, não sinto como um bom prenúncio...É o tempo sem medida, são os dias que se sucedem repentinamente e que me empurram até "à meta" e metas posteriores...
Desço a Rua dos Clérigos, deparo-me com uma criança trazida pela mão pela provável mãe, sorri-me e eu retribuo com um sorriso largo, e sigo a pensar como é tão bom de vez em quando ser criança, e como não apreciava lá muito tal condição quando o era... Eu queria era ser "grande", ser jovem, como agora... Mas afinal, não como agora, porque sou jovem e dou por mim a chegar à conclusão que levo uma vida de velha, e uma velha sem genica... Devia andar "noutra vida...".
Chego à zona de S. Bento, e mais uma vez aprecio o resultado final de tanto tempo de obras caóticas, penso como valeu a pena e como até ficou um trabalho bem feito, como por vezes é assim mesmo, há que fazer sacrifícios, para construir...
Entro na estação e dissolvo-me na azáfama própria de hora de ponta, apercebo-me como sou só mais uma no regresso a casa, e questiono-me se os outros também pensam nestas coisas...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Oh tu que fumas! :p

Todos os anos morrem cerca de 5 milhões de pessoas, como consequência directa dos efeitos nocivos do tabaco...
Mas parece que isto não é razão suficiente... PORQUÊ?


(E sim, já estou farta de ouvir a história de que o avôzinho fumava e viveu até aos oitenta e tal...:p)

segunda-feira, novembro 13, 2006

A mania dos desafios...


“Diz que” fui desafiada a expor cinco das minhas manias aqui no blog… (ai Pedro…:p).
Ora , eu até acho que não sou uma daquelas pessoas que “tem a mania”, mas… é um desafio pá, e o “Indiana Jones” da minha vida já anda farto do mesmo desafio todos os dias, e é um desafio… É que se me tivessem feito um convite, ou dito para entrar num jogo, estilo … "O concurso das manias"… mas não! É pá, é um desafio, e só por isso não posso dizer que não…. ;) :p

Desafio das Manias

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue".

Primeiro, tenho a mania das limpezas. È verdade pois, não deve ser por acaso que apareço de avental e espanador na minha caricatura de finalista… (ai gajas!:p). O ideal é manter-me em sítios asseados ou então suficientemente atarefada para nem ligar. E não, não ando a passar a mão em cima dos móveis em casa alheia… :p

Segundo, tenho a mania de combinar a cor das meias com a roupa. É uma panca como outra qualquer, na maior parte das vezes nem se vê as meias…mas pronto, podia-me dar para pior.

Terceiro, tenho a mania de brincar com os brincos e lóbulo da orelha quando estou distraída, a pensar não sei bem em quê…

Quarto, tenho a mania que sou psicóloga. Não tirei o curso, tá claro senão era mesmo! E sorry, mas o consultório encontra-se encerrado, abrindo apenas excepcionalmente para “pacientes” de longa data nos próximos tempos… sob pena da psicóloga ter de consultar um psiquiatra. (brincadeirinha, mas já faltou mais…:p)

Quinto, tenho a mania de ser cortes. É uma calúnia que lançaram praí sobre mim! :) Mas ao menos não sou daquelas pessoas que espera pela última para “ ah e tal, afinal não posso…”.
Basicamente sou cortes porque não faço favores do género de ir onde não me apetece mesmo, e porque o ano só tem 365 dias e cada dia 24 horas… É uma injustiça…

E “prontos”, decidi que não vou nomear ninguém para continuar esta cadeia bloquistíca do desafio das manias, mas não é porque sou “cortes”!!! Isso são calúnias!!! :O
:)

quinta-feira, novembro 09, 2006

"Teoria atómica"

No outro dia, contaram-me uma teoria, segundo a qual dois átomos que interajam (nem que seja por uma vez) no espaço, vão sempre estar sujeitos à influência um do outro por mais que se dispersem...

E eu fiquei a pensar, "que giro, sou capaz de jurar que com as pessoas funciona mesmo assim...".
Quem nos toca verdadeiramente, toca-nos para sempre através destas "cicatrizes" boas e más, que vamos ganhando ao longo da vida, e que nos vão influenciando, e recordando o que já vivemos e o que ainda queremos viver...

Tenho olhado para as cicatrizes boas, e sorrido.... :)

terça-feira, novembro 07, 2006

Ser feliz

Hoje decidi publicar um texto que recebi ontem via email, por um grande amigo (um grande beijinho para ti que com 99% de certeza não lês o meu blog :p - :) ).
Diz ele (no e-mail) que também lhe foi enviado por um grande amigo, e que gostou...
Eu também gostei, é um daqueles textos que vão "tropeçando" em nós, várias vezes ao longo dos tempos, mas porque faz tanto sentido, aqui vai: "Ser feliz ", segundo Fernando Pessoa:


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo..."


Mesmo não sabendo ao certo quem me "visita", queria "desculpar-me" por estes textos que publico ultimamente, este género de "fast-textos" em analogia à fast-food que compramos no supermercado, já toda confeccionadinha pronta a aquecer no micro-ondas, mas que ao fim de nem meia dúzia de vezes nos deixa famintos de comida a "sério"...
Um dia ainda me assumo aqui, e explico porque é que da minha vida que me parece um dia já ter sido, uma novela mexicana em versão brasileira, inspirada em filmes de aventura à Indiana Jones, com uma pitada de comédia-romântica, agora parece que quase só me resta a versão brasileira.... :(
Mas apesar disso, hoje posso dizê-lo: sinto-me feliz. Ansiosa, cansada, com medo muito medoooo :p, com pedras que já devem chegar para construir um daqueles castelos de estilo escocês, mas feliz!

terça-feira, outubro 31, 2006

Um burro pouco burro


Um dia, o burro de um aldeão caiu a um poço. O animal zurrou fortemente durante algumas horas, enquanto o dono procurava ajuda para o retirar. Não a encontrando, acabou por decidir que, sendo o burro já velho e estando o poço já seco, o melhor era tapar o poço e não valia a pena tirar o burro. Convidou então todos os vizinhos para o ajudarem. Cada um pegou numa pá e começaram a atirar terra para dentro do poço. O burro, ao ver o que se estava a passar, começou desesperadamente a zurrar. Mas, pouco depois, para surpresa de todos, calou-se, e só se ouvia o som de pazadas a cair. O aldeão, olhando para o fundo do poço, ficou surpreendido com o que o burro estava a fazer. Sacudia a terra que ia caindo nas costas e dava mais um passo para cima da terra. Rapidamente, todos viram com espanto como o burro chegou à boca do poço, saltou por cima dos bordos e partiu...


A vida vai-te atirar muita terra para cima, terra de todos os géneros. O segredo para saíres do teu poço é sacudi-la e usá-la para dares um passo para cima. Cada um dos nossos problemas é um degrau para subir. Assim, podemos sair dos vazios mais profundos, se não nos dermos por vencidos...Usa a terra que te atiram, para caminhares em frente.
(Autor desconhecido)

quinta-feira, outubro 26, 2006

Eu sei (e tu também)


Fui criando este poema (acho que posso chamá-lo assim) já nem sei com que propósito....
Acho que acaba de ser um reflexo dos meus dias, desta "fase"...
Não estou triste, nem deprimida...;) só gostava de desenterrar mais vezes este tesouro da força, e finalmente poder rasgar o horizonte que às vezes parece tão longe e tão perto, com um sorriso...
Dedico-o a todos os que às vezes também têm dias assim...
:)


Eu sei, que há um tempo em que tudo foge,
Em que o perto nos parece tão longe,
E em que a saudade é um tempo sem fim

Eu sei, que há dias vazios, sem nada ,
Em que a alma fica pequenina, esmagada,
E se pensa que vai ser para sempre assim.

Eu sei, que o vazio é um espaço infinito,
Prolongado pelo silêncio de um grito,
Que deixamos cá dentro, a criar coisa ruim

Mas tu sabes, que o que foi ontem jamais volta
E que é dentro de ti que mora a reviravolta
Nessa força escondida como tesouro do teu mar

E agora, é chegada a hora de te fazeres à estrada
Com a coragem de quem destemido não leva nada
Senão a vontade de a sorrir, o horizonte rasgar…

terça-feira, outubro 24, 2006

Servir em vez de ser servido

Há dias rezei - sim, rezei - o texto que hoje publico.
Achei-o extremamente bonito e merecedor de reflexão por todos nós que fazemos parte de uma sociedade em que se dá primazia aos primeiros lugares, onde antes de tudo se procura ser servido e não servir.
Tomei a liberdade de fazer umas pequenas adaptações, para que qualquer um o possa também "rezar", mesmo que não seja a um Deus, rezá-lo interiormente pela construção de pequenos mundos (os nossos) um bocadinho melhores...

Gostaria de ser eu todo agradecimento
para ir reconhecendo
tudo o que os outros me dão.


Quero pensar que não estou aqui
para ser servido,mas para servir,
que quem me rodeia vive melhor
se eu estiver atento às suas carências,
que possuo infinitas capacidades de dar,
e que posso tornar a vida mais fácil
en torno de mim.


Quero ser o ombro onde repousa quem se cansa,
ouvido que escuta a mágoa de quem sofre,
o olhar de amparo da vida que vive a meu lado,
a mão que se abre para acolher a sua história.


Gostaria de ser a alegria da festa,
o arco-íris que anuncia a calma
depois de cada tempestade,
a água fresca que dá vida ao corpo ressequido,
o cómico que faz rir
para que esqueçamos as mágoas.


Gostaria de tornar-me mestre de marionetas,
e puxar por toda a gente e para cima,
para que o sonho os elevasse sobre a rotina
e pudessem viver com alegria e paixão.

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Viver todos os dias cansa"

É o título de um livro do Pedro Paixão. Nunca o li, como a tantos outros que ultimamente se atropelam à minha frente e me obrigam a desviar o olhar num desprezo fingido, porque agora só posso ter olhinhos para um :(

Mas aprecio particularmente o título.É que às vezes dava mesmo vontade de carregar no "pause da vida", fazer um intervalo neste jogo mirabulante, ou viver intensamente só dia sim dia não...
Se os dias são todos iguais cansa mais viver... A vida por si só, por vezes já nos tráz umas gotas de "veneno anti-monotonia", outras são-nos "oferecidas" pelos que nos rodeiam e outras cabe-nos mesmo a nós fabricar em laboratório privado. É que uma vida sem surpresas e planos de última hora inesperados é como ter que ver o mesmo filme todos os dias, e eu que só vejo filmes repetidos excepcionalmente!
E a propósito de filmes e sequência dos dias, relembro-me agora de um filme "The history of us" protagonizado pela Michelle Pfeiffer e Bruce Willis, em que ambos como casal têm como hábito partilhar o melhor e o pior dos seus dias. Considero este ritual encantador e enriquecedor, porque pode ser já no meio do cansaço que fazendo uma retrospectiva dos dias, que descobrimos o que nos corrói, o que devemos deitar fora, o que não interessa e o que realmente nos é importante, o que gostamos e o que apesar do cansaço nos faz sorrir...


E tu, já pensaste nos pontos altos e baixos dos teus dias?
(Importa em primeiro lugar que respondas a ti mesm@, porque como escreve o Pedro no livro que dá título a este post, «As pessoas deviam ter mais respeito pelo que não lhes diz respeito») ;)

terça-feira, outubro 17, 2006

True Colors

Hoje esta música veio ter comigo...
Às vezes pintam-nos o mundo, pintam-nos a vida e querem-nos fazer acreditar que as cores da moda é que contam.

Decidi dedicá-la a todos os que como eu tentam aceitar, amar, acreditar e lutar pelas verdadeiras e genuínas cores :)


TRUE COLORS - phil collins and lara fabian



You with the sad eyes
Don't be discouraged
Oh I realize
It's hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness, inside you
Can make you feel so small

But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

Show me a smile then,
Don't be unhappy, can't remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there

And I'll see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

sexta-feira, outubro 13, 2006

As minhas verdades

Está um dia lindo :). Já viram como está o dia lá fora? Hoje já "fiz fotossíntese" pelos últimos 15 dias, e sinto- me mais leve, com mais coragem... (Muita força para as meninas e meninos do livro grande com letras pequeninas;)).
E assim de repente apetece-me dizer umas verdades! As minhas verdades:
1. A vida nem sempre é justa - pois é, isto dos maus morrerem sempre ou irem presos no fim, é nos filmes! Nem sempre quem merece é quem recebe o prémio,e as coisas más acontecem a qualquer um, mesmo a quem não merecia.
2. A eterna rivalidade norte/sul é tudo uma questão de inveja - porque pessoas boas e más existem em todo o lado. Às vezes o norte e o sul parecem-me dois irmãos ressabiados em que ambos reclamam pelos "benefícios "que o outro tem por ser o mais velho ou o mais novo.
3. A luz ao fundo do túnel é um embuste - é pá, quando virem a luz ao fundo do túnel, não a sigam!!! Normalmente é mau sinal, acreditem. Um conselho, afastem-se das luzes ao fundo do túnel, ou melhor, mantenham-se longe de túneis se possível :)
4.Basicamente não existem mulheres feias - existem as bonitas e as "tractosexuais" (conceito inventado ontem pela Daisy! - kiss ;)) - isto é, mulheres preguiçosas. Porque vamos lá ver, qualquer uma com 6 horas semanais de ginástica, dois litros de água por dia, e muitos tratamentos de beleza (não esquecendo os milagres da maquiagem) não faria propriamente má figura ao lado da Soraia Chaves na próxima gala da SIC.
5. Os homens só não são complicados para uma coisa - (e abstenho-me de mais comentários)
6. A probabilidade de dois ex-namorados serem bons amigos é quase nula - isto seguindo o princípio que esta probabilidade é calculada com base numa equação cuja principal variável vai de 0 a 1 e representa a sintonia com que ambos quiseram terminar a relação ao mesmo tempo.Ora vejamos... quase sempre zero!
7. Não é a porcaria de um exame que decide a vida de uma pessoa - pode decidir o que se vai fazer para o resto da vida, e até a residência nos próximos anos, mas a felicidade vai muito para além disto, e entre as melhores capacidades que o ser humano tem, há uma que é adaptar-se às circunsâncias. Dá sempre jeito, tenham-na sempre à mão!!! :)


P.S. Certamente cada um destes tópicos daria para preencher uma manhã num dos programas matinais da SIC ou TVI. São apenas as minhas verdades, e poderão estar sujeitas futuramente a alterações.

sábado, outubro 07, 2006

Colinho

"Quanto mais fundo é o colo, mais alto nos leva. Eu não garanto, mas acho que é pelo colo que tivemos que talvez estejamos todos muito mais preparados para sermos amados do que para amar. Desse «olha por mim!», guardado em nós, torna-se, para sempre, apetitoso que nos aconcheguem as ideias e pareça já um hábito que, delicadamente, nos cubram (e acalentem) os arrepios que as desilusões nos trazem. Somos, por dentro, crianças para sempre. E, embora nos digam o contrário, sermos como somos obrigaria que andássemos com os pés na Terra e a cabeça na Lua. Com assombro e com encantamento. Com a vista na ponta dos dedos, descobrindo os «intestinos» das coisas, e perguntando «porquê?» (muito para além da idade dos porquês)."

in Sá, Eduardo. (2006). «Crianças para sempre».


E eu sinto que não me posso queixar, têm-me carregado muito ao "colo" , e talvez por isso, mesmo que mais preparada para ser amada do que amar, eu sei que também devo retribuir. Acho que se pode chamar maturidade a isto - um tempo em que também olhamos por alguém, e sobretudo por aqueles que já nos deram tanto colo - mesmo que por dentro continuemos com os pés na Terra e a cabeça na Lua. Mesmo que com assombro (que também pode ser o medo de perdermos aqueles de quem gostamos) e encantamento (que o amor gratuito de uma mãe por exemplo sempre nos trás).

Desejo-vos a todos muito colo (para dar e para receber) :)

segunda-feira, outubro 02, 2006

Morfina


Não, não me doi nada :), e até sou capaz de estar a precisar de umas "pastilhas" mas não destas ...(kidding).
A morfina é um fármaco do grupo dos opióides usado essencialmente no tratamento sintomáticoa da dor. A sua utilidade clínica advém principlamente do facto de suprimir quer a dor física, quer a dor psicológica, assim como ter um efeito sedativo.
Foi isolada pela primeira vez em 1804 por um farmacêutico alemão de nome Friedrich Serturner, que lhe atribuiu o nome em honra dos Deus grego do sono e dos sonhos - Morfeu.
E tanta conversa (mas também faz bem cultivarmo-nos ;) ) precisamente porque é deste reino infinito regido por Morfeu, é de sonhos, (ou mais de um em particular) que hoje quero falar.
Descobri que tenho um agradecimento a fazer a este personagem da mitologia grega - "Obrigada por me teres deixado sonhar que voava!" E já foram várias vezes!
Ainda não conheci ninguém com quem pudesse partilhar tal experiência. Já tentei descrever a sensação, mas normalmente não me entendem, porque nunca experimentaram. Por isso também me vou abster de descrições aqui, e apenas dizer que para mim é simplesmente fantástico.
E porque gostei tanto da experiência, não há quem me demova de querer saltar de pára-quedas, coisa que espanta as pessoas... Não tem que ser para a semana, nem sequer nos próximos meses, mas tem que ser um dia. E tenho a certeza que esse salto, vai funcionar como uma boa dose de morfina para mim :)



Nota: Interpretação do sonho de voar- Sonhar que se está a voar, é o símbolo da liberdade, este sonho oferece bons presságios. São comuns a muitas pessoas, pelo geral, simbolizam a nossa inspiração e o desejo de transcender do comum.
Instintivamente você conhece os objetivos na sua vida e sabe como realizá-los. Seja o amor, um lugar na vida, a fama ou a fortuna, voará por cima dos obstáculos terrestres e encontrará a felicidade. Sonhos de vôo repetitivos indicam uma grande fortuna.
Todas as tradições explicam este tipo de sonhos da mesma forma. Se voa com a forma humana, encontrará a felicidade e o sucesso de forma natural. Se é um pássaro no seu sonho, terá muita sorte na vida.
Segundo algumas interpretações, este sonho também representa a vida sexual, a ereção ou o orgasmo. Especialmente Freud e os seus colegas assinalavam nesta direção.

domingo, outubro 01, 2006

Amo-te

Não me lembro como entraste na minha vida, sinto que estás cá desde sempre.
Há quem pense que talvez tenha desistido de ti demasiado cedo, mas eu não vejo as coisas assim. Sinto que continuamos lado a lado, e mesmo que de outra forma, tu enriqueces-me, completas-me, fazes-me feliz.
E eu gosto de ti assim, sem grandes compromissos. Gosto de ti quando no aconchego esperas que adormeça, quando ficas ao meu lado nos grandes serões da “queima das pestanas”, quando me trazes recordações, (tantas…), quando berras comigo enquanto conduzo, quando crias em mim sentimentos, quando te deixas moldar pelos meus devaneios, e mesmo quando me fazes chorar.


AMO-TE MÚSICA!

FELIZ DIA!

sábado, setembro 30, 2006

Xiça Penico!!!

Literalmente penico... choveu a "penicos"...choveu a "potes"... :(
O cansaço já é muito, acompanhado de alguma desilusão...
Não queria deixar de partilhar nesta hora a ideia de que é perante as adversidades e a passividade de muitos, que pequenos feitos (mesmo que nas últimas semanas eu e muitos mais voluntários tenhamos andado a "trabalhar para aquecer" ) se transformam em grandes obras.
Engrandece-me a alma ver gente que luta simplesmente por uma causa na qual acredita, ver gente que não espera nada em troca, ver gente que dá a cara quando corre bem e quando corre menos bem.
É um orgulho fazer parte de uma "família" assim, e é com orgulho que esta noite adormeço.
"A recompensa a seu tempo virá", enviam-me numa sms (su, também és grande;)), e eu respondo: - a minha já veio, reencontrei a força nesta fé que por vezes desvanece, reencontrei a grandeza de se ser pequenino...

quarta-feira, setembro 27, 2006

O valor das coisas

Hoje, já entregue ao cansaço, parei e levantei os olhos. Lá fora, a vista do costume nos últimos tempos - serena, agradável, mas monótona. E dei por mim a pensar...
Quanto vale uma profissão? Quanto vale fazermos aquilo de que gostamos? E quanto vale termos ao pé de nós as pessoas de quem gostamos?
Quanto vale um reconhecimento, quanto vale um abraço ou um "Amo-te" em surdina?
E sermos os primeiros, vale mais do que nos oferecermos para ser os últimos?
Quanto vale um dia da minha vida sadia em plena juventude, e quanto valerá um dia daqui a muitos anos?
E uma gargalhada, vale mais que um sorriso triste?
Quanto vale um último esforço, e quanto vale um primeiro passo?
Quanto vale ter a liberdade para dizer não, e quanto vale a obrigação de dizer sim?
Quanto vale remar contra a maré, e quanto vale não traír a multidão?
E já agora, quanto vale ter o gozo de já nada valer?
Quanto vale isto tudo na minha vida? E afinal quanto vale uma vida?
Uma vida vale toda uma existência, a qual valerá por aquilo a que eu der valor.
(Baixei os olhos... continuei...)

terça-feira, setembro 26, 2006

Pensamento do dia


Há situações na vida em que a única solução é manter a calma, respitar fundo, e tentar fazer a coisa funcionar.
(Obrigada Vasco ;))

segunda-feira, setembro 25, 2006

Solidão

"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário a que a gente se impõe ás vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto...

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma."


Chico Buarque

domingo, setembro 24, 2006

HOJE:

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo.
Em grande parte podem ser evitadas ou atenuadas pela prática de bons hábitos de vida, (como uma alimentação correcta), e abstinência de outros maus, como o tabagismo e sedentarismo.

E por falar em "coisas do coração"... Ontem fizeram-me lembrar uma história contada numa aula a que assisti há cerca de 3 anos.

Professor ilustre, óptimo comunicador, psiquiatra, sexólogo, em mais uma conversa aprazível partilha com os alunos um episódio que vivenciou com uma amiga. A amiga, pessoa já madura , sabe que em determinada ocasião vai reencontrar um homem que lhe é especial. Separados por caminhos divergentes (cuja causa não me recordo), está temível de ainda o poder amar.

Entre confidências o professor perguntou-lhe:" E então, como julgas tu que poderás saber se o amas?" Ao que a mulher lhe respondeu:"É fácil! Quando o vir e falar com ele, se sentir as minhas pernas a tremerem é porque o amo, se não sentir, é porque já não."

(E ainda dizem que as mulheres são complicadas....)